O problema de seguir as trends do momento

Ever Green é um conceito usado para identificar coisas que foram feitas para não ter prazo de validade. Tem coisas que continuam relevantes e atuais mesmo com o passar dos anos. Outras, que envelhecem como leite fora da geladeira. Com o tempo, soam ultrapassadas. Algumas vezes, até ofensivas. 

Mesmo com todas as transformações sociais que o mundo sofreu nas últimas décadas, um exemplo de algo que continua atual — mesmo após mais de 30 anos — é o álbum Like a Prayer, da Madonna, lançado em 1989. A visão do álbum sob questões delicadas como AIDS, e o respeito à diversidade, se mantém impecável como uma bíblia.

Exatamente o oposto — um exemplo de algo que deu muito errado e não envelheceu nada bem — são algumas novelas da Globo. A reprise de algumas novelas dos anos 2000 no canal Viva, levaram a emissora a veicular antes de cada capítulo, um pedido público de desculpas pela forma como a mesma abordou questões raciais e sexuais naquela época. 

Exibida a nem tanto tempo assim, em 2015, a novela Império — atualmente sendo reprisada no momento em que escrevo este texto — é um recorte de mal gosto repleto de estereótipos, como gays completamente caricatos, em uma época onde existe um debate recorrente sobre o respeito às minorias. 

O que o álbum Like a Prayer tem, que a novela Império não tem?

A minha teoria é que a receita para algo ser “Ever Green” é ser baseado no comportamento humano, sob uma ótica progressista. Independente da tecnologia da época ou da rede social do momento, tem questões que nunca irão mudar. Temas como o respeito ao próximo, a fé humana, casamento, e a importância da ciência e a luta contra o preconceito, são da mesma forma há 2 mil anos, e permanecerão da mesma forma daqui há 2 mil anos. Assim é Like a Prayer, que fala de forma progressista sobre fé, religião, sexualidade e feminismo.

E o meu palpite é que “Império” não envelheceu bem (assim como muitas outras coisas por aí), por ser algo concebido para gerar identificação, e não reflexão.  Tomemos como exemplo o gay caricato interpretado por Paulo Betti, que parece ter sido criado somente para entreter e ser conivente com a forma que as donas de casa viam os LGBTQIA+ na época.  Eu tenho quase certeza que se Aguinaldo Silva tivesse criado o personagem de Paulo com um viés progressita, abordando um tema tão atual e relevante trazendo reflexão, Império não soaria tão datada e com prazo de validade vencido. Esse é o problema de ter as trends do momento como background principal.

E você, tem uma teoria sobre tudo isso?

Published by Guto

Pai Pet, dono de cinco suculentas. Blogueiro e Ilustrador. Roller boy. Blood marry é horrível.

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